História de santo
São Francisco de Assis
O homem que não tinha nada e achava que tudo era presente.
5 minutos
Virtude de hoje
Alegria de quem agradece
Francisco não ficou alegre apesar de ter pouco. Ele ficou alegre porque, sem nada nas mãos, tudo o que chegava voltou a parecer presente.
Talvez a sua casa esteja cheia de coisas e curta de espanto. Não é preciso vender nada hoje. Basta, uma vez por dia, apontar algo comum para a criança e dizer em voz alta de onde aquilo veio.
Para conversar
Qual foi a coisa mais bonita que você viu hoje sem ter que pagar nada por ela?
Sem resposta certa. A ideia é ouvir o que seu filho pensa.
Oração
Deus, obrigado pelo sol que apareceu hoje.
Obrigado pela água, pela comida e por quem cuida de mim.
Nada disso é meu, tudo isso é seu.
Me ensine a ficar contente com o que o Senhor me dá.
Amém.
Ler o texto da história
Imagine uma praça na cidade de Assis, na Itália, há mais de oitocentos anos. No meio dela, um rapaz para de andar e fica olhando o céu.
Ele se chamava Francisco. O pai dele vendia tecidos finos e tinha muito dinheiro. Francisco usava as roupas mais bonitas da cidade e cantava alto pelas ruas. Todo mundo conhecia o Francisco.
Um dia houve uma guerra entre Assis e a cidade vizinha. Francisco foi lutar, foi preso e ficou muito tempo longe de casa. Quando voltou, adoeceu. E, deitado na cama, começou a pensar numa coisa em que nunca tinha pensado.
Ele pensou assim: eu tenho tudo. Por que eu não estou contente?
Quando melhorou, Francisco começou a andar pelos campos em volta de Assis. Havia por ali uma igrejinha velha, de pedra, chamada São Damião. O telhado estava caindo aos pedaços. Francisco entrou, ajoelhou e rezou. E ali dentro ele entendeu que Deus estava pedindo uma coisa: conserta a minha casa, que está em ruínas.
Francisco levou o pedido ao pé da letra. Foi buscar pedras, carregou nas costas e começou a consertar a igrejinha com as próprias mãos. Só bem depois ele entendeu que Deus falava também de uma casa maior: a Igreja inteira, cheia de gente.
Mas, para fazer isso, Francisco precisou de uma coisa difícil. Precisou soltar as mãos.
O pai dele ficou furioso. Não queria um filho pedreiro, vestido de pano grosso, dando as coisas da loja de graça. Levou Francisco diante do bispo, com a cidade inteira olhando. E Francisco, na frente de todo mundo, devolveu ao pai o dinheiro e as roupas. Ficou ali sem nada. O bispo tirou o próprio manto e o cobriu.
A partir daquele dia, Francisco não era dono de nada. E foi exatamente aí que ele descobriu o segredo da vida dele.
Se ele não era dono de nada, então tudo o que aparecia no caminho era presente.
O sol da manhã, presente. A água do poço, presente. O pão que alguém entregava na porta, presente. O vento, o cheiro de terra molhada, o pássaro cantando no galho. Presente, presente, presente.
Francisco ficou tão contente com isso que começou a chamar as coisas de irmão e de irmã, como se o mundo inteiro fosse uma família enorme e ele fosse o caçula. Chamava o sol de irmão sol. Chamava a lua e as estrelas de irmãs. Chamava a água de irmã água, o fogo de irmão fogo, e a terra de irmã e mãe, porque é ela que nos sustenta e dá fruto.
Perto do fim da vida, já doente e quase sem enxergar, Francisco compôs um cântico com esses nomes todos. É um dos poemas mais antigos que existem na língua italiana. E foi feito por um homem que não tinha absolutamente nada, deitado numa cabana, agradecendo.
Francisco também tinha um jeito próprio de olhar para as pessoas. Uma vez, andando a cavalo, encontrou um homem doente de lepra. Naquele tempo, quem tinha essa doença precisava viver longe de todo mundo, e ninguém chegava perto. Francisco tinha muito medo daquilo. Mas ele desceu do cavalo, foi até o homem e o abraçou. Depois ele mesmo contou que, a partir daquele abraço, o que era amargo virou doce.
Há também histórias que a tradição conta sobre Francisco e os animais. Que ele pregou para os passarinhos. Que arrumou ninho para umas pombas que iam ser vendidas na feira. Que amansou um lobo bravo na cidade de Gúbbio. Essa última é uma história que se conta há muitos séculos, e ninguém sabe se aconteceu exatamente assim. Mas ela guarda uma verdade sobre ele: perto de Francisco, o medo diminuía. Bicho e gente ficavam mais mansos.
Num Natal, numa aldeia chamada Greccio, Francisco quis que as pessoas entendessem de verdade que Jesus tinha nascido pequeno e pobre. Então levou palha, um boi e um jumento para dentro de uma gruta e a missa foi celebrada ali. Foi o primeiro presépio de que se tem notícia. Todo presépio que a sua família monta em dezembro vem daquela noite.
Francisco morreu numa noite de outubro de 1226, deitado no chão, cantando.
Não tinha casa. Não tinha dinheiro. Não tinha nada guardado. E mesmo assim dizia que era o homem mais rico do mundo, porque tudo o que ele via era presente de Deus.
Hoje pode ser assim também. Olhe pela janela antes de dormir. O que estiver lá, alguém preparou para você.
Fontes e revisão
Tomás de Celano, Vida Primeira e Vida Segunda de São Francisco; Legenda dos Três Companheiros; Testamento de São Francisco (episódio do leproso); Cântico das Criaturas (1225); presépio de Greccio em 1223, narrado por Celano; Fioretti (fonte tardia, século XIV, de onde vêm o lobo de Gúbbio e outros episódios, apresentados no texto como tradição); Martirológio Romano, 4 de outubro (morreu na noite de 3 de outubro de 1226); Catecismo da Igreja Católica, 344, que cita o próprio Cântico das Criaturas, e 2416, sobre o respeito devido aos animais.
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